Cada um na sua...

February 3, 2016

 

Se você está aqui porque veio pela tag mudar de país, não se assuste. Você provavelmente vai passar por algo parecido com isso que vou contar… ou não, mas que vai ter que rebolar em alguma hora… aaah vai.

 

Mudança é uma coisa muito cara, isso não é uma novidade. Mudar de país para estudar 2 anos pagando em dólar chega a ser uma das coisas mais caras que eu já me imaginei fazendo na vida. Mas, como na vida tudo tem o seu preço, vamos pagar e ver no que dá.

 

Primeiro passo depois da decisão tomada foi cortar os gastos extras… todos. Nada de restaurante, diarista e muito menos TV a cabo e internet potente. Telefone é só pra mandar mensagem mesmo… então taca lhe um cartão dos bão. Academia vira rua, cinema vira Netflix e happy hour vira grupinho feliz no whatsApp.

Tem dias que você quer jogar tudo pro alto e ligar correndo pra “chegada da faxina”, mas am am… respira fundo e pega uma vassoura.

 

Assim, de pouco em pouco fomos enchendo nosso porquinho, passamos 2 anos poupando tudo que dava. Claro que não deixamos de viver, saíamos para o espetinho da esquina, e fazíamos jantares deliciosos em casa. Nossos amigos entraram no nosso ritmo e as festas caseiras passaram a fazer parte da nossa rotina. Gasta-se pouco e diverte-se muito.

 

Mesmo com todo o cuidado de não gastar mais do que o necessário resolvemos passar nossas férias no Canadá. A vontade de conhecer aquele pais dos sonhos e saber se estávamos fazendo a coisa certa era gigante. Iamos gastar muita grana, mas preferimos enxergar como um investimento no nosso projeto, o que realmente se consolidou como.

 

Fomos e voltamos, mas quando chegamos, com a certeza que fizemos a escolha certa, levamos um choque de realidade com a alta exorbitante do dolar. Nosso dinheiro guardado caiu pela metade. Tinhamos ali uma nova meta… juntar mais dinheiro, muito mais.

 

Nosso apartamento, lindo e cheiroso, era a nossa cara… a nossa casa, nosso ninho. Adorávamos viver os três ali. Mas, o aluguel era bem caro. Como o Fabiano foi obrigado a fechar a oficina assim que voltamos de viagem, ficamos sem capital para pagar o aluguel e juntar mais dinheiro. Crise cretina… nós pegou em cheio.

 

Solução encontrada foi: devolvemos o apê e fomos morar de favor cada um com sua família. Fui pra casa da minha tia, que já havia me abrigado na adolescencia quando meus pais resolveram se mudar pro interior, a Amelie cat foi morar com minha mãe e o Fabiano com a mãe dele. Sendo assim, estamos cada um na sua.  

 

Cada um na sua… é o tal mega sacrifício que você faz por um sonho. Como disse Raul: “sonho que se sonha junto é realidade.” Provavelmente esse é só o primeiro grande sacrifício. Morar longe de tudo e de todos deve exigir vários outros, mas isso ai, vamos deixar pra descobrir de lá.

 

As pessoas me perguntam como dou conta dessa nova situação, se não estou sofrendo demais…

Na verdade, a gente da conta de tudo que se propõe a fazer seriamente. Sei bem disso.

O sofrimento vem, mas só fica se você deixar.

Eu não paro pra pensar no quanto é ruim estar longe deles. Vejo o lado bom da situação. To sendo super bem recebida, levando uma vida de princesa. Hora de aproveitar essa mordomia e curtir.

Na hora de dormir é mais crítico, sozinha numa cama grande que antes abrigava três. Mas ai, eu faço o exercício de me lembrar o motivo de estar ali sozinha e o sofrimento troca de lugar com as borboletas no estômago.


A gente se fala antes de dormir… mantivemos nosso ritual das palavras doces e sempre terminamos a conversa com a certeza que logo logo estaremos dormindo juntos de novo… e na cidade que a gente escolheu pra ser nossa.

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