Limbo

March 31, 2016

Nunca acreditei em Céu nem em Inferno, mas o tal do Limbo me deixava apreensiva. Como seria estar num lugar que não era nada? Não era quente, nem frio. Não era grande, nem pequeno. Não era bom, nem ruim. Era neutro. Um lugar pra esperar.

 

Eu me casei ha quase 3 anos com o homem mais legal que eu encontrei. Dei a maior sorte. Na semana seguinte ao nosso casamento, chegamos em casa e decidimos: vamos nos mudar.

 

Queriamos viver uma vida mais leve, mais saudável e sem medo de gente. Precisamos de pelo menos uma montanha, um parque e ruas que aceitem bicicletas e queremos falar inglês. Sonho formado, foi dada a partida.

 

Sabíamos que o processo seria longo. Descobrimos dois irmãos e seus podcasts, com eles entendemos o caminho. Cortamos todos os luxos e partimos pros estudos. Teriamos um tempo pra nós preparamos mas deveríamos manter segredo. Achamos que seria mais fácil começarmos em silêncio e assim seguimos.

 

Eu sou a caxias da dupla, leio tudo que vejo, ouço tudo e todos, estudei até babar. Aos poucos fui fazendo valorozas amizades virtuais. Amo o poder da internet. Não faltam vídeos, vlogs, blogs e gente disposta. A ajuda vem de todos os lados. Foi incrível descobrir o quanto as pessoas são generosas. Faço parte de vários grupos e em todos eles encontro todos os dias, motivação, informação e ombro. É uma troca linda e muito rica.

 

Lembro quando o visto da Carla chegou, eu pulei da cadeira de alegria. Nunca vi a Carla ao vivo, mas a alegria dela era minha.

 

No início do desse ano, depois que o Fabiano teve que fechar a loja, tomamos uma das decisões mais difíceis até agora. Entregaríamos o apartamento e morariamos separados até a data do embarque. Seria a maneira mais fácil de economizar um pouco mais. O ideal seria ficarmos juntos, mas não teve como. Coragem.

 

Apliquei para a pós-graduação no início de janeiro. A universidade respondeu que como fiquei com meio ponto abaixo na prova de "listening" eu iria para a fila de espera e só saberia meu resultado após 31 de março.

 

Já se passaram dois meses… ainda falta um e a angústia aperta cada dia mais. Para o embarque faltam muito mais, mas a ansiedade que nos come por dentro é porque, enquanto não sair a resposta da escola, não sabemos quando iremos pedir o visto, quando iremos embarcar e nem por mais quanto tempo ficaremos separados. Um mundo de incertezas todinho nosso… e sem direito a cafuné no fim do dia.


Hoje entendemos bem o que é estar no Limbo. Aqui estamos nós. Na primeira classe, super bem recebidos e afagados pelas nossas famílias, mas no Limbo, a espera de uma resposta.

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